top of page

Bem-aventurados os pobres em espírito

Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus (Mt 5.3)


A maioria de nós nunca passou fome de verdade. No máximo, ficamos algumas horas sem comer e já dizemos que estamos “morrendo de fome”. Mas sabemos que isso é só uma expressão. A fome real, aquela que milhões enfrentam todos os dias, é dura, injusta e causa dor.


Justamente por isso, quando Jesus fala de “fome e sede de justiça”, Ele usa imagens que todo ser humano entende, mas que também carregam um peso de realidade: fome e sede são necessidades básicas, essenciais, urgentes.


Quando Jesus diz “bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça”, Ele está dizendo: felizes são aqueles que sentem a necessidade da justiça de Deus com essa mesma urgência, não como um tema distante, mas como algo que faz falta, que aperta o peito, que a gente sente no cotidiano.


O problema é que muitas vezes nossa “fome de justiça” é seletiva. A gente se indigna com algumas coisas e ignora outras. A gente quer justiça quando o injustiçado somos nós, mas esquecemos quando somos beneficiados pela injustiça. A gente confunde justiça com vingança ou algo do tipo.


Mas a justiça que Jesus está falando é diferente. É a justiça que restaura e que coloca as coisas no lugar. É querer que o mundo seja do jeito que Deus quer e também que nós sejamos do jeito que Deus quer.


E isso nos confronta, porque a injustiça não está só lá fora: ela passa pelo nosso coração, por escolhas, omissões, palavras e posturas. Isso nos lembra que não produzimos justiça sozinhos. Precisamos recebê-la. E aí vem a promessa: “pois serão satisfeitos”. Jesus não promete apenas nos ensinar sobre justiça; Ele promete nos saciar com ela. Ele viveu uma vida completamente justa e morreu a justa morte que nos era devida. Jesus bebeu da ira divina para que eu e você fôssemos tornados justos diante de Deus. Ele mesmo é aquele que veio tornar o injusto em justo, reconciliar o que estava quebrado e inaugurar um Reino onde a justiça não é teoria, mas vida.


No fim, ter fome e sede de justiça é desejar Cristo. É querer que a vida se alinhe com Ele e o Seu Reino. E quanto mais nos alimentamos do Evangelho, mais essa fome cresce e mais Ele nos satisfaz.

Comentários


bottom of page