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Perdoai-vos uns aos outros

11 de set.
2 min de leitura

Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando‑se mutuamente, como Deus os perdoou em Cristo. (Efésios 4.32)


Imagine que alguém quebra um objeto querido seu — um xícara especial para você, sem conserto. A reação natural é cobrar: "você me deve isso". Guardamos a dívida no coração como se fosse uma promissória, esperando o pagamento. Mas há quem, em vez de cobrar, simplesmente diga: "está perdoado", e absorva o prejuízo sozinho. Quem paga a conta de um perdão genuíno é sempre quem perdoa.

É isso que Paulo tem em mente em Efésios 4:32. No contexto, ele exorta a igreja a deixar a amargura, a ira e a maledicência (v. 31) e a vesti-las com bondade e compaixão. Mas note que o apóstolo não fundamenta esse mandamento no esforço humano nem em sentimentalismo. A âncora está no fim do versículo: "como Deus os perdoou em Cristo". O perdão cristão não nasce de dentro de nós; ele é resposta e reflexo de um perdão recebido. Primeiro fomos perdoados — só por isso podemos perdoar.

E aqui o versículo aponta diretamente para a cruz. Nossa dívida com Deus não era uma xícara quebrada, mas a culpa de toda uma vida de rebeldia. Deus não fingiu que ela não existia, nem a varreu para debaixo do tapete. Ele a cobrou integralmente — e a cobrança recaiu sobre Cristo. Na cruz, Jesus absorveu o prejuízo que era nosso. O justo pagou pelos injustos (1 Pe 3:18). Foi assim que Deus nos perdoou: a um custo altíssimo, suportado por Ele mesmo.

E Cristo continua fazendo isso. Ele intercede por nós (Hb 7:25), e sua justiça nos cobre dia após dia. Quando perdoamos o irmão que nos feriu, não estamos sendo generosos por mérito próprio — estamos apenas repassando, em medida pequena, o perdão imenso que já recebemos em Cristo Jesus.


 
 
 

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